quarta-feira, 25 de maio de 2016

UMA FAMÍLIA NEPALESA EM PORTUGAL

Bandeira da República Federal do Nepal
Olá, eu chamo-me Ganga Prasad Neupane e sou nepalês. Agora moro na cidade histórica do Porto, na Rua da Alegria. Tenho 47 anos e sou casado: a minha mulher chama-se Susila e tem a mesma idade que eu (sou mais velho do que ela apenas onze dias). Temos dois filhos: o mais velho tem 25 anos e o mais novo 23. Eu trabalho numa cozinha japonesa, enquanto a Susila trabalha num restaurante português. Ambos somos estudantes de Português.

O Nepal é um país pequeno, situado no sul da Ásia, entre a Índia e a China. Tem uma área geográfica de aproximadamente 147 mil quilómetros. É uma nação pobre em recursos naturais, mas rica em cultura. Há muitas etnias lá e cada região tem o seu dialeto: por exemplo, Newari, Tamang, Rai, Gurung, Magar, Tharu, Maithili, Shrpa. Todos compreendem a língua Nepali.

A capital: Catmandu (foto daqui)
O Nepal é um país sem mar, mas com muitos rios. Tem muitas montanhas altas. Todos conhecem o Monte Evereste, nos Himalaias. Tem, também, muitos lagos bonitos: o Rara, o Foxundo, o Begenas, o Fewa, entre outros.

Em sinal de paz, o Senhor Gautam Buddha nasceu no Nepal. Ele era filho de um rei. Muitas pessoas são hindus no meu país, mas há também budistas, muçulmanos e cristãos.

O Nepal depende da agricultura. 80% dos nepaleses vivem desta atividade. A população nepalesa é de cerca de 30 milhões de habitantes. Mas há muitos nepaleses a trabalhar e a viver no estrangeiro, em especial nos Estados Unidos da América, no Canadá, no Japão, na China, na Índia, em Hong Kong, na Malásia, no Qatar, na Arábia Saudita, em Singapura, em França, na Alemanha, na Suíça, em Inglaterra, em Itália, na Noruega, em Espanha e em Portugal.

Comida nepalesa (foto daqui)
A cozinha nepalesa tem como ingredientes principais o vat (arroz), o dal (lentilhas), tarkari (caril), achar (pickles), roti (pão tradicional), dhido (farinha) e gundruc (legumes secos).

Há 23 anos, o Nepal era governado por um rei. Agora o chefe de estado é um príncipe. Era uma nação pacífica, mas agora está muito dividida, por causa dos grupos políticos. Há também muita corrupção.

Os nepaleses levantam-se normalmente entre as 6 e as 7 horas da manhã. Muitos tomam o pequeno-almoço em casa: comem roti e uma omeleta e bebem chá com leite. Outros tomam o pequeno-almoço nas pastelarias: comem chamuças e puri (pão frito) e bebem chá.

Lago Gokyo, nas proximidades do Evereste (foto daqui)
Começa-se a trabalhar às 10 horas. Entre o meio-dia e a uma hora da tarde almoça-se em casa: dal, vat, tarkari e achar. Quem trabalha longe de casa almoça no restaurante: aí pode comer-se as especialidades nepalesas, como o momo, chowmein (massa frita com legumes), thukpa (massa com molho, carne e legumes), chopsuey (massa frita em óleo e misturada com carne), arroz frito.

Depois, entre as 5 e as 6 horas da tarde, regressa-se a casa. O jantar acontece entre as 9 e as 10 da noite. Depois do jantar, as pessoas veem um pouco de televisão ou vão até à internet. Normalmente, os nepaleses deitam-se a meio da noite.


Ganga Prasad Neupane

quarta-feira, 11 de maio de 2016

UM CHINÊS EM PORTUGAL













UM CHINÊS EM PORTUGAL

Eu sou o Yang Liu e moro em Matosinhos, na Avenida da República. Sou chinês: nasci na China, de onde saí em 2005 para viver em Itália. Quatro anos depois vim para Portugal.

Trabalho numa loja durante o dia e queria trabalhar à noite num restaurante aqui em Matosinhos para meter mais algum dinheiro no meu bolso.

A loja onde trabalho vende produtos de limpeza, objetos de cozinha, ferramentas, peças de vidro, vernizes, guarda-sóis, tapa-ventos, pranchas e baldes de praia, brinquedos, lâmpadas, cabos para produtos eletrónicos (por exemplo, cabos de telemóvel e cabos de televisão), carregadores de telemóvel, comandos universais para os aparelhos de televisão, relógios, as roupas e muitas outras coisas. Nunca tive outra profissão.

Eu sou jovem e magrinho. Meço 1,73. O meu cabelo é preto e liso. Tenho carta de condução B. Sou simpático e bonito, gosto de animais. Em minha casa tenho um rato, uma galinha pequena e um pombo, que comprei no mercado de Matosinhos. Eu gosto de galos. Queria comprar um, mas os galos cantam de manhã. Quando tiver mais dinheiro, queria comprar mais animais.

A minha vida é boa. Tenho vários amigos. Mas sinto pena de não ter uma amiga! 

Yang Liu

segunda-feira, 9 de maio de 2016

NÃO SOU UMA ÁRVORE SECA

Foto tirada daqui









Não sou uma árvore seca

O que posso eu fazer com uma asa quebrada,
Que me não deixa voar?
Em silêncio estou eu há muito tempo,
Mas jamais esqueci a canção.
Sussurro a cada instante
A melodia do meu coração.
Recordo a mim mesma o dia
Em que hei de libertar-me desta prisão,
Voar deste desamparo,
Para ser sacudida pela aragem
E poder cantar com vontade.
Não sou uma árvore seca
Para ser varrida e pisada e esmagada por aí.

Sou um ser humano, uma filha, uma irmã, uma tia,
Mas acima de todas as coisas sou mãe,
Mãe de filhos maravilhosos, mãe de um neto.

E se não é me permitido exprimir-me,
Se me não deixam caminhar ou respirar ou viver em paz,
O único sentido é chorar.

Theresa Wilhelmina Azevedo Candeias